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“Gritava para ele parar e ele não parou”: mulher acusa padre de Cascais de a violar e tentar comprar o seu silêncio

Vítima de padre de Cascais conta tudo: ‘queria que eu fosse escrava sexual dele’

Um relato brutal de uma vítima do padre João Cândido da Silva, agora afastado pelo Patriarcado de Lisboa. Apesar de chantageada pelo referido padre e impelida ao silêncio pelo cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, a mulher contou tudo.

“O senhor cardeal, D. Manuel Clemente, só me disse uma coisa: não vá com isto para a televisão”, revelou a mulher, em entrevista, ao recordar o dia 23 de junho deste ano, em que diz ter sido abusada nas instalações da Igreja da Ressurreição pelo padre João Cândido da Silva, que era o capelão do Hospital de Alcoitão, em Cascais.

A mulher, que dá pelo nome fictício de ‘Maria’, contou como tudo começou, desde o momento em que se envolveu de forma amorosa com este homem. Maria conta que conhecia o padre há mais de 20 anos, mas que se reencontraram mais recentemente. Começaram, então, a ter um caso amoroso, no final do ano passado.

“Eu fui para me confessar. Confessei-me, mas nesse dia, quando me estava a confessar, ele tirou a estola e disse: isto não é uma confissão, somos amigos. Eu vou esquecer que isto é uma confissão. A conversa prolongou-se e ficámos até à meia noite na conversa. Naquele momento não estava a ser padre ou algo parecido.

Nesse encontro e nos outros seguintes, começou um caso amoroso entre mim e ele. Ele escolheu a sala e pediu-me para não contar a ninguém que havia um caso entre nós, ficou aquela sala só para nós”, contou Maria sobre o caso que teve com o padre, e que culminaria nessa violação.

“Ele quis sexo à bruta, queria que eu fosse escrava sexual dele. Bateu-me, deixou-me toda negra e eu gritava para ele parar e ele não parou”, relembrou a mulher sobre os incidentes do dia 23 de junho. A vítima foi ao hospital de Cascais e reencaminhada para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para as perícias médico-legais.

Além da violação, o padre teria tentado o silêncio de ‘Maria’ e ofereceu-lhe 300 euros para ela não contar nada a ninguém. “Eu respondi-lhe: vais preso, vais pagar pelo que me fizeste a mim e a mais alguém”, relembra.

Após a denúncia, o Patriarcado afastou o suspeito. “Ouvida a vítima e o sacerdote, o Patriarcado de Lisboa decidiu dar início aos procedimentos canónicos previstos para este tipo de casos e afastou o padre de todas as suas funções até ao apuramento dos factos”, anunciou o Patriarcado em nota enviada.

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