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Bebé morre 10 horas após ter alta do Hospital de Coimbra

“O meu menino morreu-me nos braços sem eu poder fazer nada.” Sónia Borges, de 44 anos, residente em Escapães, Cantanhede, está destroçada depois de perder o filho, de sete meses. O bebé morreu em casa, dez horas depois de ter recebido alta do Hospital Pediátrico de Coimbra, onde foi assistido. “Eles não deviam ter mandado o menino para casa naquela situação, ainda cheio de febre”, lamenta o pai, Eusébio Jesus, de 46 anos.

Lourenzo, que tinha completado sete meses no domingo, foi assistido no Hospital Pediátrico de Coimbra na segunda-feira. Apresentava febre, diarreia e vómitos. “Quando chegou ao hospital estava com 40 graus de febre”, conta a mãe, ao lembrar que o medicaram e depois de realizarem uma análise às fezes, que testou positiva para rotavírus, a informaram de que “tinha uma gastroenterite”.

Sónia Borges lembra que o médico lhe disse que “o menino ia para casa, mas ia medicado com Ibuprofeno, Paracetamol e gotas para parar a diarreia e que iria melhorar”. Durante a noite, a mãe garante ter dado a medicação, conforme a prescrição do médico, “mas a febre nunca baixou”. Os pais afirmam que a meio da noite ainda lhe deram um banho “com água tépida para ver se ajudava, mas a febre continuava alta”.

“O meu menino gritava sempre que lhe tocávamos no corpo”, recorda a mãe, entre lágrimas. O pai acrescenta que o seu estado se agravou antes das 06h00 de terça-feira. Sónia Borges pediu ajuda através do 112, mas a criança não resistiu.

Até à chegada da equipa médica à casa da família, foram os pais que, através das indicações fornecidas pelos profissionais do INEM, fizeram manobras de reanimação. “Fizemos tudo o que nos disseram para o reanimar, mas não conseguimos salvá-lo. Quando o INEM chegou continuou a fazer, mas também não conseguiu”, afirma Eusébio Jesus.

Sentados à porta de casa, os pais vão sendo confortados pelos vizinhos. “Não há direito. É um sofrimento muito grande”, diz Eusébio Jesus, em lágrimas, ao receber um abraço de um amigo. “Se ele tivesse ficado no hospital em vez de vir para casa talvez o conseguissem salvar”, acredita o pai.
O Correio da Manhã contactou o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, do qual faz parte o Hospital Pediátrico, na quinta e na sexta-feira, por e-mail e por telefone, mas não obteve resposta até ao fecho desta edição.

O corpo foi sujeito a autópsia, mas os pais de Lourenzo ainda não foram informados sobre as causas da morte.

Lourenzo Filipe Costa Jesus nasceu a 31 de dezembro de 2021. Segundo os pais, sempre “foi um bebé saudável e bem-disposto”. Os primeiros sinais de que não estava bem foram detetados no domingo. “Começou a ficar murcho e à noite vomitou”, conta Eusébio Jesus. No dia seguinte foi assistido no Hospital Pediátrico.

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